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Crítica | Os Observadores (2024)



CRÍTICA SEM SPOILERS


O novo filme de terror sobrenatural, Os Observadores, marca a estreia de Ishana Shyamalan, filha de M. Night Shyamalan (que assina a produção), na direção de um longa-metragem. A estreante, que já havia dirigido diversos episódios da brilhante série "Servant" (2019-2023), original da AppleTV+, agora assume todo o controle criativo de um roteiro ambicioso de sua autoria. Baseado no livro homônimo de A.M. Shine, o filme tem como centro a jornada de Mina (Dakota Fanning), uma imigrante americana que trabalha em um pet shop em Galway, Irlanda, e luta para aceitar a morte de sua mãe que ocorreu há 15 anos. Com a tarefa de entregar um papagaio valioso a um zoológico em Belfast, Mina se perde no meio de uma floresta enorme e assustadora. Lá, ela irá embarcar em uma aventura frenética por sua sobrevivência junto a três estranhos em um abrigo vigiado por criaturas aterorrizantes e perigosas. Ao contrário do que o trailer e todo o material de divulgação do filme possa sugerir, explorar o medo do desconhecido não é o maior objetivo da diretora aqui, pelo menos não de maneira profunda ou duradoura, o que pode frustrar a experiência de espectadores desavisados. A trama centra-se principalmente no relacionamento de Mina com os demais residentes do abrigo e sua frequente busca em compreender as criaturas que os rodeiam e encontrar uma maneira escapar daquela floresta com vida. Trabalhando uma ambientação fantasiosa e quase gótica, o roteiro desenvolve minimamente seus personagens secundários enquanto flerta com o thriller psicológico em diversos momentos, apostando em um ritmo que nos deixa apreensivos e desconfortáveis o tempo todo, assim como os personagens. A atmosfera de tensão se constrói de maneira gradativa e é facilmente absorvida pelo espectador, assim como a floresta ganha força e se torna quase um personagem naquele meio vasto e repressivo, refletindo o estado de espírito de Mina. O filme ainda propõe reflexões a respeito de temas como metamorfose e voyeurismo, além de questões como até onde somos capazes ou mesmo estamos dispostos a ir para sobreviver, vencer os obstáculos e enxergar sentido para nossas vidas? Estaríamos todos nos moldando diariamente para adentrar um arquétipo de vida comum que só nos mantém insatisfeitos? É possivel esmiuçar detalhes e buscar por inúmeras perguntas levantadas pelas metáforas visuais de Os Observadores. Porém, é exatamente na tentativa de conciliar tantos temas e tópicos diante de um tempo de tela tão limitado (102 minutos) e de um andamento frenético que reside a maior ineficiência do filme de Ishana. Não há espaço para vasculhar os traumas, as dores e o luto da protagonista. Nem mesmo se debruçar na mitologia envolvendo as criaturas e nas subtramas dos personagens secundários que nos são introduzidas e abordadas às pressas. Querendo falar sobre muita coisa em pouco tempo, a obra acaba desperdiçando o imenso potencial de sua premissa. A direção do longa também nos decepciona devido ao abuso de exposição, sem controlar comedidamente o que mostra e o que opta por insinuar ao espectador. Nesse aspecto, quem se sai impecavelmente bem é a sugestiva trilha musical do sempre ótimo compositor Abel Korzeniowski, capaz de dar o tom de apreensão e mistério acompanhado de violinos melancólicos em belíssimas músicas que casam perfeitamente com o clima sombrio da direção. Após dois atos repletos de qualidades e imperfeições, é tempo o suficiente para percebermos que não estamos nem de longe diante de um dos papéis mais marcantes de Fanning, muito menos da coadjuvante Georgina Campbell, que nos surpreendeu positivamente no ótimo Noites Brutais (2022). Ainda assim, é interessante notar às vésperas do ato final, que a diretora honra a fama de seu pai nos presenteando com um plot twist (infelizmente não tão imprevisível assim) logo em seu primeiro longa-metragem. Para uma estréia de uma diretora e roteirista, Os Observadores é suficientemente atrativo. Uma obra que não alcança todo o seu potencial, mas que cumpre com seu papel no entretenimento de horror, oferecendo alguns sustos e seres apavorantes, além de permitir análises profundas de suas subcamadas existenciais aos espectadores que apreciam a arte de buscar por algo a mais, mesmo que possivelmente em vão.


NOTA DO CRÍTICO: ★★★☆☆ Título Original: The Watchers Data de Lançamento: 06/06/2024 (Brasil) Direção: Ishana Night Shyamalan Distribuição: Warner Bros. Pictures Elenco: Dakota Fanning como Mina

Georgina Campbell como Ciara

Olwen Fouéré como Madeline

Oliver Finnegan como Daniel

Alistair Brammer como John

John Lynch como O Professor

61 visualizações1 comentário

1 Comment


Stefanie Rocha C. Pinho
Stefanie Rocha C. Pinho
Jun 22

Achei a crítica bastante otimista hein...o filme é decepcionante.

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